Tentando fazer a diferença

Cheguei ao local por volta do meio dia, para esperar o candidato para vereador do PSB Marcelo Russo, 31. Ele é formado em direito na FMU, solteiro, possui dois filhos, e recebeu 276 votos, que não foi suficiente para ganhar. Atualmente ele trabalha como empresário na sua empresa de franquia, Jadlog.

Pedi para a recepcionista chamá-lo, e então esperei ansiosamente. Depois de mais ou menos uns cinco minutos, ele apareceu na recepção e então minha ansiedade diminuiu. Marcelo era um moço comum, de aparência jovem e despojada. Enquanto eu estava de trajes sport fino, ele estava vestido de maneira normal e o que me chamou a atenção foram suas tatuagens no braço, já que eu também sou simpatizante dos desenhos na pele. Simpaticamente ele me cumprimentou, e nós fomos almoçar.

No caminho para o restaurante japonês, andamos conversando sobre a faculdade. Enquanto eu contava para ele sobre o meu curso ele se lembrava dos tempos em que ele ainda estudava. “Sempre fui um aluno dedicado, na média, às vezes a gente escorregava né, mas eu me esforçava bastante e toda dúvida que eu tinha, eu perguntava, não importa quantas vezes fosse, o professor ia ter que esclarecer [risos]”.

O restaurante era pequeno, com de assoalhos de madeira por dentro, tinha pouca claridade, e havia um incenso em cada mesa, e outros detalhes típicos de um restaurante japonês; nós sentamos em uma pequena mesa e fizemos os pedidos. Ele comentou que adorava comida japonesa, e me apresentou vários pratos no qual eu não conhecia (apesar de eu gostar também, meu conhecimento alcança até o temaki).

Enquanto almoçávamos me concentrava com as perguntas para saber um pouco mais sobre ele. Comecei então a perguntar sobre a política, e a sua ideologia. “Bom, nos comentários de um site que fala sobre minhas propostas, fui classificado pelas pessoas como o mais radical [risos]”. “Eu não sou contra o capitalismo, mas sou contra o capitalismo desenfreado que nós vivemos hoje. Também não sou de extrema esquerda; acho que o problema tem que ser resolvido primeiramente pela educação”.

“Sempre tive vontade de participar do processo político, dês de criança assistia ao horário eleitoral, e não aguento mais ver as mesmas caras fazendo as mesmas promessas, por isso ano passado resolvi me filiar ao PSB com intenção de ser candidato a vereador. Então a minha ideia era renovar o jeito de fazer política em São Paulo, porque não posso mais aceitar de braços cruzados o que acontece, aliás, o que não acontece em nossa cidade. As crianças saem da escola sem saber ler e escrever, a saúde pública jogada as traças… sei que uma andorinha só não faz verão, [risos] mas tenho que pelo menos tentar. Quem sabe consigo outras andorinhas para começarmos alguma coisa [risos]. Hoje em dia o cenário político é vergonhoso. Para exemplificar, o que esperar de um deputado federal que em sua campanha dizia: “Vote no Tiririca, pior do que tá não fica”, e é aí que o povo se engana, pior do que está fica sim, se colocarmos pessoas despreparadas no comando do país fica pior sim, e pode ficar muito pior”.

Enquanto nós conversávamos sobre o assunto, muitas das nossas ideias eram semelhantes, como por exemplo, a questão da pena de morte. “Eu sou a favor, dependendo do caso”. Ele também se posicionou contra a legalização da maconha, “drogas comigo não tem vez, sou totalmente contra; eu vivia perto da periferia então as drogas sempre estiveram em paralelo na minha vida, e eu sempre tive a cabeça no lugar para não me envolver nisso, além disso meus próximos respeitavam minha posição então ninguém me oferecia, porque sabiam que era oferecer para perder minha amizade no mesmo instante.”

Nossa próxima pauta foram as eleições de São Paulo, e do partido do PT. “Eu não consigo votar no Serra”, foi quando a gente entrou em convergência. E ele começou a me explicar os seus motivos e a sua visão, enquanto isso eu esperava ele terminar de falar para perguntar, já que sua ideologia era esquerdista. “Você acredita que o PT é um partido de esquerda?”, perguntei. “Na teoria sim, na prática, não mais. E eu também não concordo com a ideia do assistencialismo deles, precisa oferecer emprego para as pessoas.”

Concordando novamente com a sua opinião, eu finalizei o tema política optando por fazer uma pergunta sobre um fato que acontece nas eleições que me incomoda muito. “O que você pensa sobre o “lixo eleitoral” no dia das eleições? – aqueles ‘santinhos’”. “Penso que é totalmente desnecessário, isso não convence ninguém, aliás pelo contrário, você acaba perdendo votos por conta disso.” E eu concordei dizendo que meu voto é um dos perdidos quando um político tem essa atitude. “E como você fez sua campanha?”. “Eu fiz 50% na internet, em redes sociais, 30% foi com materiais de publicidade e propaganda: faixas, adesivos de carro, santinhos distribuídos através de amigos e funcionários, e os outros 20% eu rodei a cidade distribuindo os santinhos pessoalmente.”

No decorrer do almoço, ele declarou sua paixão por animais de estimação, futebol e tatuagens. Eu reparei que sua tatuagem no braço direito era um desenho, e, no esquerdo eram nomes – são os nomes dos meus filhos – disse ele. “Eu adoro crianças, adoro meus filhos. Sempre que eu posso eu sento com o mais velho para jogar vídeo game. A gente fica jogando Fifa, que é o nosso favorito.”. Quando ele falou de futebol, contou como adorava o esporte e ainda ressaltou ser um corinthiano fanático. “Bom, mas o cara que fez minha tatuagem manda bem, eu nunca tive problemas, e dificilmente eu preciso retocá-las. Se você quiser, depois eu te passo o telefone dele.”

Voltamos a falar de futebol, e ele contava que desde pequeno sempre gostou de todos os esportes, ai eu perguntei por que ele não tentou fazer alguma coisa na área de esportes. “Sendo bem realista, eu sou adoro futebol, mas não tinha vocação para ser jogador [risos]; mas eu quis fazer faculdade de educação física, mas na época meu pai não deixou. Depois escolhi economia e ele também ‘bateu o pé’, ai a gente entrou em um consenso com o direito. Mas eu não me arrependo em ter feito direito; alias, acho que algumas matérias que eu vi na faculdade deveriam ser obrigatórias no colégio, porque as pessoas precisam saber até que ponto as leis são favoráveis a elas.”

Ao refletir suas palavras, tirei a conclusão de que o Marcelo, por fim acertou em sua carreira, de um modo torto (já que seu pai não aceitou o curso de educação física), mas acertou. Em seguida conversamos sobre sua outra paixão: bichos de estimação. Falamos bastante sobre nosso gosto por cachorros, mas novamente ele me surpreendeu quando disse que tinha vários animais em sua casa. “Tenho gato, cachorro, peixe, no meu escritório tem um aquário enorme de peixes, tenho ramster, que inclusive me deu um trabalho essa semana porque ele saiu da gaiola e eu não o achava de jeito nenhum, acabei encontrando, depois de um tempo que eu já tinha procurado, atrás do sofá [risos]. Acho que não falta nenhum bichinho [risos].”.

Havíamos terminado de almoçar, e voltamos o caminho conversando um pouco mais sobre política e sobre seu carinho pelas crianças. “Eu moro do lado de um orfanato, e eu sempre ajudei as crianças de la, mesmo antes de me envolver na política. Eu e minha mãe realizamos festas em datas comemorativas, ai ela faz o bolo e eu entro com os quitutes e os presentes. Recentemente nos comemoramos o dia das crianças, e ai eu fui comprar esfihas para a festa porque a encomenda que eu tinha feito não tinha ficado pronta. Quando cheguei no Habbibs, o dono estava la e me viu comprando todas aquelas esfihas e veio conversar comigo. Contei a ele sobre a minha contribuição para aquelas crianças, e ele se interessou dizendo que também queria participar; ‘no natal, traz as crianças aqui que eu vou ceder o espaço e as esfihas’. Eu achei bem legal.”.

Admirei aquela historia, sobre as crianças, e principalmente sobre o dono do Habbibs, e me alegrou saber que existem pessoas solidarias tão próximas e nós nem nos damos conta. Nas eleições futuras, Marcelo Russo terá meu voto como vereador.

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Manias, deveres e… passatempo!

No domingo à noite abri minha agenda, como de costume, para ver quais deveres me esperavam para a semana seguinte e reparei que aquela semana iria ser daquelas em que dormir é luxo. Provas, exercícios, trabalhos e mais exercícios. Droga… – pensei – vou ter que me organizar desde já.

Sabendo que a semana seria muito estressante, não podia deixar de baixar algumas músicas novas para atualizar meu Ipod, no caso de eu querer dar uma relaxada no ônibus. Enquanto o programa fazia o download, eu abri meu pacote de bolacha Passatempo e fui montando meu horário semanal. Grifava o que era mais importante, marcava com post-it colorido as páginas da agenda, e, em um papelzinho rascunho, que eu ia deixar por perto, estava anotado aquilo que eu não poderia me esquecer.

Enquanto isso, minhas músicas tinham baixado. Deixei de lado meu “roteirinho” para arrumá-las no ITunes. Organizei-as como sempre na pasta de gênero musical, banda, álbum e, claro, procurei no Google a capa de cada cd certo. Faço isso porque gosto de deixar tudo arrumado para no caso de eu querer alguma música que eu tenha baixado há um tempo (porque eu não apago nenhuma).

Voltei a mexer no meu horário. Tive o cuidado de encaixar tudo certinho pra dar tempo também de ver as minhas séries. – Legal… Acho que saiu a nova temporada de The Vampire Diaries! Vou baixar hoje porque durante a semana não vou ter tempo – lembrei. Nesse caso também, só iria assistir se eu terminasse meus deveres. Baixados os episódios, coloquei na pasta certa do computador, e na temporada certa. Terminada minha “grade horária” semanal, arrumei meu material junto com as coisas do trabalho, e estava tudo pronto para a segunda-feira.

O computador ligado ainda, eu aproveitei para entrar no Facebook. Vi minhas atualizações e fiquei online no chat esperando minha amiga entrar para a gente fofocar. Enquanto ela não entrava, eu pesquisei qual seria a próxima festa para o próximo fim de semana, porque, depois de uma semana tensa, tínhamos que comemorar a sobrevivência. Vista a mais legal, mandei o link para ela ver.

Ainda “sozinha” no Face, eu aproveitei para fazer a unha da minha mão. Na hora de pintar, peguei um esmalte roxo mesmo. Esperando minha unha secar, tinha percebido que já estava bem tarde e que minha amiga não ia mais se conectar – tudo bem, amanhã eu falo com ela. – Com a unha finalizada, eu desliguei meu computador, vesti meu pijama roxo e programei o despertador para me acordar para mais uma rotina.

Férias virosus cocus sp.

Era o ultimo fim de semana de férias e eu estava muito feliz, pois tinha chegado da praia recentemente com meus dreads pronta para mostrar no colégio na segunda-feira, que seria o primeiro dia do esperado “terceirão”.

O clima em casa estava tranquilo então resolvemos sair nesse dia. Como de costume, fomos ao shopping. Meus pais foram ler livros e eu e minha irmã fomos olhar vitrines! Passado o tempo de diversão separada, nos juntamos para jantar. Na volta para casa, comecei a sentir muito frio, dor de cabeça, e estranhei. Medi minha temperatura, e estava com febre. Tomei um remédio e fui dormir. No domingo, estava muito mal, com febre alta, sem sintomas visíveis, e segundo minha mãe, muito pálida. E lá fomos nós para o pronto socorro.

Quando fui atendida, o médico do PS me receitou um remédio para baixar a febre, mas nada acontecia. Percebendo minha palidez, ele me colocou para tomar glicose na veia. Depois disso, as especulações diagnósticas foram: infecção no sangue, nódulo no útero, e cirurgia! Meu pai, preocupado, chamou uma médica de confiança que já cuidava da família. As palavras dela foram confortantes: “não tem que fazer cirurgia sem saber o real motivo, apesar disso, vai ter que ficar no hospital até sabermos a causa da febre”. E assim começa a minha semana hospitalar.

A princípio me mandaram para a área de isolamento, junto com os doentes de tuberculose e meningite. E sim, fiz o dolorido exame de meningite (que não doeu nada…). Lembro-me do rosto da minha mãe do meu lado como se fosse ontem; parecia que ela estava no meu lugar sendo furada na espinha por aquela agulhona. E esse foi só um dos exames, pois, durante toda a semana que permaneci lá, foram mais de dez, além do soro que eu estava tomando na veia que frequentemente era necessário mudá-la de lugar. Já não sentia mais a dor da agulha furando na minha pele.

Neste período de internação, apesar de não ter tido um diagnóstico fechado, fui examinada por vários especialistas de diferentes áreas, o que me fez sentir muito bem assistida e paparicada, com comida que era levada no quarto e da televisão que eu via sempre. Com o passar da semana eu fiz amizades, sai da Unidade Coronária, fui melhorando, e assim como a doença chegou, a doença se foi.

Dignidade, união e glória

Ao som do apito a bola rolou entre os dois times que começaram dando seu melhor, pois os dois precisavam vencer.  Enquanto isso, estávamos na arquibancada fazendo nossa parte, incentivando os jogadores com as canções gritadas. Pouco mais de trinta mil torcedores preenchiam os lugares no estádio do Pacaembu.

O primeiro tempo foi angustiante. Em cada lance, a cada chance perdida, ouvia-se o murmúrio dos torcedores se lamentando, mas rapidamente se retomava a cantoria. Passados os 45 minutos o juiz apita o fim do primeiro tempo. Era possível ouvir os anseios e receios na arquibancada, pois o placar continuava 0x0, mas sabíamos que se o time continuasse jogando como no primeiro tempo, o gol viria.

E começa o segundo tempo. Dessa vez o time atacava de frente para nós. A torcida cantava o mais alto que podia e de repente… GOL! Todos pulavam, gritavam, batiam no peito com orgulho! Eu olhava para todos os cantos, e via as arquibancadas tomadas de flashes e sinalizadores, que também chamou a atenção de um garotinho, cujos olhos brilhavam de alegria. No colo de seu pai, ele apontava para um sinalizador próximo a ele.

Distraída pelo comportamento do tal garotinho, voltei para o jogo com o descontentamento da torcida e então percebi os jogadores do time adversário comemorando. Sim, saiu o gol, e foi um golaço. As pessoas a minha volta ficaram durante alguns segundos perplexos, mas logo voltaram a cantar graças ao garoto da torcida uniformizada, que lançou um olhar de reprovação e começou a incentivar com mais força. E funcionou! Nosso time respondeu logo em seguida balançando a rede adversária. Os jogadores vieram até nós comemorando muito e gesticulando a raça do time.

E foi assim até o final. Nesta partida, os jogadores estavam dando o melhor de si pela camisa, enquanto que a torcida gritava sem parar. O resultado disso foi o belo placar final de 3×1. Me orgulho de ser palmeirense!

Por trás dos bastidores

“Nerd”. É dessa forma que são rotulados os estudantes de Ciências e Tecnologia na UFABC, contudo, nem sempre é assim. Washington Dias Batista, paulista, 21 anos, dedica boa parte do seu tempo aos estudos e, na outra metade, para a música.

‘Was’ é pessoa bem reservada e de poucas palavras, mas vira outra pessoa quando está atrás de sua bateria tocando como Joey Jordison (baterista do Slipknot), sua influência. “Sem ter noção nenhuma, com um par de baquetas improvisadas, eu tentava tocar as músicas do CD do Slipknot, banda que eu mais gosto. Fui realmente aprender a tocar com 17 anos. A partir daí nunca mais parei de tocar bateria.”

A partir do ‘Slip’, seu gosto pelo rock começou a se desenvolver e pode-se dizer hoje que é seu estilo principal, girando em torno do universo de Metallica, Black Label Society, Ozzy Osbourne, até algumas bandas peculiares como Velhas Virgens e Teatro Mágico.

Com as federais em greve, Was está dedicando toda suas “férias” para a música, e com suas bandas, tentando se profissionalizar na área. Pela escassez de bateristas no mercado, ele já chegou a participar de quatro bandas de uma vez. Atualmente ele está levando duas bandas que estão progredindo. “Já gravei três músicas e um web clipe que está para sair com a banda Mundie, que é uma banda voltada para um estilo meio Pop Rock e Indie. Enquanto que na outra banda, sem nome ainda, estamos tocando músicas cover e pretendemos nos apresentar para, quem sabe ganhar uma grana para começar a escrever e desenvolver nossas próprias músicas.”

Dessa forma, dentro do estúdio, após o término do ensaio, Was conta que manter as bandas não é um trabalho fácil, e exige muito treino e dedicação, principalmente se quiser se destacar no meio musical brasileiro. Ele ainda se diz sortudo por não haver brigas entre os integrantes.