Sobre Jessica Matias

I am brazilian, a journalist, a SMM student, a wife, and I have just moved to the US! I'll share some adventures. STAY TUNED! =)

Usando a versatilidade na política

Feriado, 10 da manhã, uma chácara situada na periferia de Sorocaba. Cidade grande, com jeitinho de cidadezinha, com gente que puxa o “R” e fala “pare!” e “lêitê quêntê”. Eu cresci naquela “chacrinha” (como a gente sempre chamou), tive pelo menos uns três aniversários comemorados ali, passei algumas viradas de ano e comi inúmeros churrascos no mesmo lugar em que me encontrava naquela hora. Toquei a campainha, perto do poste onde vi o primeiro acidente grave, com ambulância, da minha vida. Ela veio abrir a porta do mesmo jeito que sempre fez, desde os meus poucos anos de idade: “Jessiquinhaaaa!”. Eu dei risada, falei com os pais dela, que me chamam pelo mesmo apelido e com os irmãos, que me chamam de roque azul (nós até tentamos nos lembrar do porquê desse apelido, mas não conseguimos). Depois de responder “A família tá ótima, tá todo mundo bem! Sim, o Lucas é lindo!” para absolutamente todos os convidados, pergunto se ela pode conversar naquela hora e enquanto uma das crianças a puxa para brincar na casinha da árvore ela diz: “Posso, mas você tem que vir junto!” e aponta a cabeça em direção à criança. O resultado é óbvio: não fizemos a entrevista, só conversamos, colocamos assuntos em dia.

Depois do almoço, eu tento novamente. Finalmente nos afastamos da festa e sentamos em volta de uma das mesinhas. No segundo em que tiro o meu caderno da bolsa, ela abre um sorriso e solta um gritinho “AHH! Minha primeira entrevista!!”. Eu dou risada, pergunto se é sério e com a resposta positiva penso com os meus botões: “tadinha”. Muito perspicaz – como sempre foi -, ela nota minha expressão, pega no meu braço e diz “Tudo bem! Me saí melhor do que esperava! Daqui quatro anos eu consigo!” e dá uma piscadinha.

“Então, me conta… Como começou tudo isso?” – eu mal fiz a pergunta e ela já começa a rir. Eu pergunto se está tudo bem  e ela responde “Tá! É que eu não to acostumada a ver você assim, crescida!”. É compreensível. A Daniely me conhece desde que eu mesma me conheço por gente, e desde que nos mudamos para São Paulo, perdemos o contato. Ela sempre trabalhou muito, em absolutamente tudo. “Qual é a sua última empreitada mesmo?” e a resposta vem seguida de pulos e gestos efusivos, como se fosse uma garota de 15 anos: “Eu crio cavalos! Você precisa conhecer meu potroooo! Estou estudando agronegócios também, mas meu potro é o mais empolgante, no momento! Te levo pra conhecer, depois que a gente terminar aqui”. “Você não sossega, Dany?” – “Você sabe que eu não sei ficar quieta, né, Jessiquinha!”.

Dany – A “faz de tudo um pouco”

Daniely Toassa, de 35 anos, começou a trabalhar com fotografia, junto com sua família. Depois se formou em Engenharia, e começou a “rodar” o mercado de telecomunicações desde operadoras telefônicas até fabricantes chineses. “Comandei instalações, manutenções, vendi, estabeleci parcerias, abri mercados. Por fim, tive o privilégio de ser do time de controladores de uma empresa multinacional espanhola gigantesca, onde eu cuidava do planejamento orçamentário de cerca de 400 projetos que somavam R$2,2 bilhões de investimentos anuais. Esse valor é R$500 milhões maior que o orçamento de Sorocaba. Você sabe que planejamento e fiscalização é uma das principais funções da Câmara de Vereadores, né?” – “Sei, mas peraí que eu não peguei todos os números!” – e com toda a paciência do mundo, ela me explica tudo de novo.

Fora esses grandes feitos, Daniely já estudou muito. Além de Engenharia, é formada em Direito e é mestre em Administração. “Estudar é algo que realmente me agrada! Se tem algum assunto que não domino, vou atrás para aprender! Agora estou mergulhando na área do agronegócio, por exemplo”.

Uma das características engraçadas de Dany é que ela faz absolutamente tudo. Cada vez que aparecia em casa, contava sobre algum projeto novo que estava começando. Entre eles estão incluídas a plantação de milho e a criação de cavalos: “É sério, eu amo meu cavalinho e meu potrinho. Me achei, fazendo isso”.

“Faz de tudo um pouco inclui política”

Como conheço a figura há anos, não me surpreende que ela tenha entrado no ramo político, mas ainda me intrigava e queria saber o porquê dessa decisão. “Em meados de setembro do ano passado, fui tomar um chocolate quente na Real (a melhor padaria do mundo, com a melhor coxinha de frango e catupiry do universo), e numa conversa descontraída com conhecidos, um deles me surpreende com uma pergunta: ‘você não gostaria de sair candidata a vereadora!?’ Nem sei se pensei pra responder, mas disse que sim!”. Eu dei risada. “Pois é, nunca ambicionei cargos, títulos e muito menos uma carreira pública! Mas esse convite me despertou para quanto de bom pode ser feito para a cidade e quantas necessidades do povo ainda existem para serem atendidas! Eu amo Sorocaba e quero ajudar, de verdade”. A candidata conta que sempre “causou” nas lideranças estudantis e religiosas que participou desde a juventude: “Se algo precisava ser implementado, fazia acontecer. Se algo nunca havia sido tentado, encontrava o caminho. Se alguma coisa era impossível, dava um jeito! Nunca fui de me conformar com ditos do tipo: ‘foi sempre assim que se fez por aqui’. Ah, como eu já incomodei bagunçando a ‘perfeita ordem natural das coisas’ com novas idéias e novos limites!”.

Apesar de todo o entusiasmo e propostas aparentemente decentes e plausíveis, que incluem o bilhete único na cidade, projetos para saúde e educação bilíngue para crianças, Daniely conseguiu apenas 367 votos. Ela não se preocupa: “Meu caráter se molda nos princípios cristãos e procuro fazer aos outros exatamente aquilo que gostaria que fizessem a mim. Sou do tempo em que a palavra valia um contrato! É assim que trato todos meus negócios. Procuro fazer sempre o que é correto, não importa o preço. Até brinquei que nestas eleições, preferia perder sabendo que joguei limpo, do que ganhar às custas de propagandas irregulares, favores, ‘puxadas de tapetes’ dos concorrentes e/ou todas as ‘pequenas irregularidades’ que nós brasileiros estamos cansados de ‘ouvir dizer’ que existem por aí”. A candidata também conta que o Facebook foi uma ferramenta importante na divulgação da campanha, espaço onde conseguiu expor suas ideias e propostas: “Meu irmão fez um grupo, criou vários eventos, marcou reuniões… Enfim, encheu o saco de todo mundo por lá” – “É, eu sei. Ele me colocou no meio disso também” comentei num tom educado, mesmo sabendo que só tinha permanecido no grupo por pura educação, para não fazer desfeita.

Mesmo não sendo eleita, Daniely conseguiu alcançar a 3ª melhor votação das mulheres do PMDB. Apesar de não ser o foco da campanha, ela postou uma vez em sua página do Facebook: “nunca me posicionei como ‘candidata pelas mulheres’… Eu sei que explorar esse marketing poderia me dar uma certa vantagem competitiva, já que muitas mulheres gostam de votar para mulheres e se sentem mais resguardadas sendo representadas por outra mulher…

Também não pedi seu voto “por ser mulher”, que alcançaria outro grupo de eleitores (sim… inclusive homens) que prefere candidatas mulheres porque reconhece que, assim como no mundo dos negócios, as mulheres vêm se destacando como fantásticas líderes, com pulso firme, moral e sensibilidade na condução do coletivo…SIM!!! VOU LUTAR PELAS MULHERES!!! E pelos homens também!
SIM!!! VOTE EM UMA MULHER!!! Mas que tenha a qualificação e preparo para te representar!”
Aparentemente, deu certo, né?!

 

E agora?

“Jessiquinha, você tem quatro anos pra mudar seu título de eleitor pra Sorocaba e convencer seus pais e família inteira a fazerem a mesma coisa!”. Falando meio séria e meio que brincando, ela promete que vai se candidatar de novo e pede ajuda: “eu ganhei 400 votos. Se cada pessoa que votou em mim chavecar mais 10 pessoas, na próxima eu ganho fácil!”. Brincadeiras à parte, ela parece confiante de que daqui quatro anos as coisas vão melhorar e que consolidará sua candidatura.

“Minha família e eu ficamos muito felizes com o apoio que recebemos dia após dia! É realmente surpreendente o quanto de gente que nos recebeu, felizes pela notícia e ainda mais impressionante o tanto de gente que nos procurou em aprovação! É, já teve gente até correndo atrás de carro adesivado pra pedir ‘santinho’! Fizemos uma campanha fantástica lado a lado com a nossa família e amigos! Esse apoio dos amigos e dos amigos dos amigos é o que já fez valer a pena esta candidatura!”

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Cheirinho de caramelo

“Ei! O que a gente vai fazer, então?” gritava um amigo lá do outro carro. “‘Vamo’ comer, então, naquela lanchonete que a Peba falou mesmo!”. Verdes de fome, a discussão foi (milagrosamente) rápida: “me segue!” e saí correndo com o Kazinho vermelho.

Eu já tive alguns episódios interessantes com o carro. Batidas, saia, salto e pneus furados no meio da avenida, assaltos a outros carros (e eu, com a minha sorte enorme, entrei no meio e ganhei uma arma apontada pra minha cabeça) e por aí vai, mas esse… Esse foi especial.

Era véspera de feriado, íamos pra praia no dia seguinte, no mesmo carro que eu estava dirigindo e que não era o meu. Aquele clima de festa, música alta, quatro pessoas fazendo dancinhas ridículas no banco de trás. “Guilherme, socorro! Seu painel tá sem luz, e eu não consigo enxergar a quanto (km/h) eu to indo!” “Vi, coloca uma luz aí pra ela. Não posso levar outra multa”. Cena patética, mas foi o que deu pra fazer.

Virei à esquerda, pra pegar a ponte, e o outro carro não veio junto. “Liga pra eles! A gente se encontra lá na frente, no Mc!”. Depois de alguns minutos parados, eles chegam: “Seu carro tá todo apagado!” “A seta também?” “Não… Essa eu não vi mesmo”. Arrancamos de novo. Ele queria brincar, mas ele tem um Stilo 1.6 e eu… Bem, não tinha nada naquela hora. Continuamos. “Tá sentindo esse cheiro de açúcar queimado?” “Caramelo, você quer dizer?”. Haha, engraçadinhos. Segui em frente.

Virei à esquerda de novo e, de novo, ele não veio junto. “Ele é retardado?! Liga de novo!”. Enquanto eles gritavam, eu encostei numa calçada, pra não atrapalhar o transito. “Dá a volta, sobe e entra à direita”. Eu olho pra frente e vejo fumaça saindo da frente: “Ih, Gui! Tá saindo fumaça do seu carro” e saí na maior tranquilidade do mundo. Minha amiga sai também, para o dono do carro poder sair do banco de trás. Ela decide gritar “TÁ PEGANDO FOGO!” e eu pensei em dar risada da ingenuidade dela e falo “Tá nada, meu… É só fumaça!”. Há! Aí percebi o motivo de panico da menina, ao ver uma certa luminosidade por entre a fresta do capô: “Ops! Tá pegando fogo mesmo!”.

As amigas que estavam junto se desesperaram, fui abrir o capô. O dono do carro levantou a tampa e o fogo subiu. Ele deixou a tampa cair e começou a tirar a camiseta. Eu olhava aquela cena e não podia deixar de rir, enquanto perguntava “O que você tá fazendo, homem?” ao que ele responde com uma naturalidade incrível, como se fosse a primeira opção, a mais óbvia: “Vou bater pra apagar o fogo, ué”. Graças às mentes pensantes femininas, pegamos o extintor de incêndio, já que é pra isso que ele existe.

“COMO QUE EU FAÇO ISSO?” ver a minha amiga desesperada, com o extintor entre as pernas, tentando descobrir como tirava a trava de segurança foi a gota d’água. Eu não conseguia parar de rir. Ajudei, com muita dificuldade de me manter séria. “DEIXA EU FAZER!”. E lá foi outra amiga, se sentindo a bombeira profissional. Ela apagou o fogo, só que de boca aberta, então ficou morrendo pelos cantos depois, o que deixava tudo mais engraçado. O único que reagiu como uma pessoa normal foi o Guilherme. Não o culpo, eu também ficaria daquele jeito. “Tem um pano aqui”. O fogo era, na verdade, do pano que estava enrolado em um dos cabos e entrou em combustão. Tiramos fotos para futuras reclamações com o mecânico que tinha entregado o carro fazia uma semana e muito provavelmente ia ser processado, tentamos apagar o resto do fogo, arrancamos o forro que ainda estava em chamas brasileiras persistentes e que não desistiam nunca.

O outro carro chegou, contamos o que aconteceu. “Vocês tem problema mental? Olha onde vocês pararam e decidiram apagar o fogo”. Como se tivesse sido combinado, os seis olharam para trás com o mesmo movimento. O lugar onde encostei o carro era um posto de gasolina. “Que lindo! Além disso a gente podia explodir!”. Sorte. É pra poucos.

Preso

Sexta feira, seis da tarde. O melhor horário para ficar parado na rua, dentro do carro, em qualquer canto de São Paulo. A maioria dos que moram aqui já está acostumada com esse contra da cidade. Guilherme também, só que a situação à que ele teve que se adaptar é um tanto quanto inusitada. Com o ar condicionado ligado e apenas uma fresta nas janelas ele declara: “Eu nunca fui no médico, só sei que fico desconfortável em lugares completamente fechados ou com muita gente em volta de mim, que eu não consigo me mexer direito”.

Guilherme André Silva Souza é estagiário de direito em um escritório no centro e estuda na FMU, campus Santo Amaro. “Essa av. Santo Amaro é uma droga. Tá sempre parada na hora que eu passo”. Em um trajeto que levaria trinta minutos pra fazer do trabalho até a faculdade, passamos uma hora e meia. A inquietação do jovem de 25 anos é clara e dá um pouquinho de medo. “É sempre assim?”. Ele olha pra frente, como se não tivesse ouvido nada e começo a me perguntar se ele ouviu, se deveria repetir a pergunta. Quando abro a boca para falar, ele responde “Depende do dia. Hoje to meio estranho”.

Ele é todo estranho sempre, para falar a verdade, e ele mesmo admite: “Se alguém pudesse entrar na minha cabeça, eu tava ferrado”. A gente se conheceu porque ele dança muito bem, e eu.. Bem.. Eu gosto de dançar. Jamais imaginei que ia passar por aquele evento, naquele final de tarde. “Jé, você pode dirigir pra mim? Não quero mais”. Completamente assustada, olhei pra cara dele como quem diz “tá brincando, né?” e não encontro um sorriso de quem estava brincando. “Uh.. Sim..?” e ele abre a porta e sai do carro. Desesperada, saio correndo, não acreditando, e todos os que estavam parados no farol vermelho ficam olhando a cena, como se fosse aquela brincadeira de trocar de motorista a cada parada. Entro de novo no Ka vermelho, sento, arrumo o banco e espelhos e tento sentir a embreagem, pra não passar vergonha na hora de andar.

Sem “soquinho” ao colocar a primeira marcha, não tenho muitos problemas em me habituar (a não ser pela voz que grita dentro da minha cabeça: “Socorro! O que tá acontecendo?”). Olho pra ele no banco do passageiro, mais relaxado. Ele percebe e comenta “Obrigado. Ainda bem que você tava aqui. Não se preocupa, você tem cara de quem dirige bem”, como se fosse pra me acalmar. Chegamos na faculdade, agradeço por me ajudar, ele agradece pela ajuda também e pergunta “Quer esperar? Te pago um salgado e te dou carona depois”. Abaixo a cabeça, levanto, dou um sorrisinho amarelo e respondo “Não, valeu.. Sem ofensas, mas acho que vou de onibus mesmo”. Depois, já em casa, recebo uma mensagem dele mesmo: “Desculpa. Eu prometo que consigo ser normal, de vez em quando. Você se acostuma”.

A simplicidade de um sonho

Luana Benarroz, 22 anos, sonha simplesmente em constituir uma família feliz. Carioca e religiosa, Benarroz sempre teve uma ligação forte com sua irmã mais velha e com sua mãe, que sempre quis morar no sul – por isso mudaram do Rio de Janeiro para São José, em Santa Catarina. No estado desde 2004, se sente realizada, porque diz ser um lugar pacífico e propício para realização de muitos dos seus projetos.

 Assistente administrativa da BV Financeira (do Banco Votorantim), em Florianópolis, acredita que o trabalho a deixa mais ativa e ajuda no sonho de dar continuidade ao lado da pessoa amada. Outro desejo é o de manter-se financeiramente estável, para poder oferecer o máximo de conforto para seus futuros filhos, incluindo viagens ao seu estado do coração: “Tenho muito do Rio na minha personalidade” diz ela com um sorriso enorme.