Vestida com seu chapéu de chef de cozinha branco com detalhes azuis e um avental branco com os mesmos detalhes azuis, Teka Borba parecia impaciente. Em frente ao fogão prata da Escola de gastronomia Atelier Gourmand, Teka mexia delicadamente sua colher de plástico de cor amarela na panela onde se encontrava o recheio do bem casado, que mais tarde serviria de demonstração para sua aula sobre doces.
Sua impaciência logo deu lugar a um longo sorriso. Ela me olhava por debaixo de seus óculos de armação preta, com um olhar de indagação, já que eu estava lá para entrevista-la e perguntar sobre sua vida.
A cozinha da escola de gastronomia era bem grande. No canto encontram-se armários com vários utensílios que são utilizados nas aulas de culinária, havia também três pias grandes. No canto central do cômodo uma enorme escultura retangular de pedra levava o nome e o desenho da escola. E no meio havia uma grande bancada branca e preta com cadeiras e com o fogão onde se encontrava a chef. Sentei ao seu lado, e observava seu movimento com a colher. “Menina, pode começar quando quiser” ela falava. “Não quero te atrapalhar, Teka” retruquei. Ela olhou-me e falou com seu jeito simpático: “Não atrapalha, vai fazendo as perguntas e eu vou respondendo”.
Imediatamente peguei o gravador e a folha com as perguntas, entreguei a ela, pois seria mais fácil para ela ler e responder, já que estava concentrada para não queimar a panela.
Ela mesma leu as perguntas e respondeu:
-“Como comecei a cozinhar? Ah, eu estudava em uma escola de freiras, e você sabe como é né, rígido. E lá tínhamos que fazer alguma coisa, e eu ajudava na cozinha fazendo balas.” Respondeu com olhar pensativo e continuou: “Eu peguei o gosto por cozinhar, comecei a fazer cursos, trabalhei em muitos lugares como a garoto. Sempre gostei de fazer doces.”
Teka não parava de mexer a colher na panela e quando começava a ler a próxima pergunta parava um pouco e continuava:
-“Olha, tudo o que eu tenho hoje em dia, meu carro, minha casa foi pela cozinha. Eu sempre fiz encomendas de bolos, tortas, frango assado. Quando eu e meu marido estávamos numa fase ruim, o que nos reergueu foi isso aqui. Porém você deve sempre fazer as coisas com amor e dedicação e gostar do que faz que assim, tudo dá certo.” Explicou a chef com um olhar de felicidade e de quem estava tentando relembrar o passado.
Fomos interrompidos por quatro pessoas que entraram na cozinha. Uma moça loira com olhar de cansada, uma ruiva que parecia estar com pressa e um moço moreno que carregava um saco preto: “Eles querem encher as bexigas para o evento que terá no Atelier, mas vai fazer muito barulho.” Explicou a moça que trabalhava na escola. As bexigas seriam cheias com a máquina de ar, então nossa entrevista com a chef teve que ser encurtada.
-“Só um momento” pediu Teka ansiosa. “Aqui já está acabando”. E continuou: “Quando eu vi que estava cansada de trabalhar para os outros, resolvi montar meu próprio negócio, a chocolateria. (Teka sempre gostou de mexer com doces). Eu vi que eu podia. Minha vida é cozinhar, tem vezes que eu deito para dormir e acordo no outro dia com uma receita nova na cabeça, eu tenho facilidade nisso.”
Mas uma vez fomos interrompidas pela funcionária, que impaciente, disse que não tínhamos mais tempo.
Para finalizar, pedi a Teka que contasse algo engraçado que ocorreu com ela na cozinha:
- “Uma vez a receita pedia dois ovos inteiros, minha aluna foi lá e colocou os ovos com casca e tudo na receita” Explicou Teka, e todos que estavam na cozinha riram.
E assim, a entrevista teve que terminar. Agradeci a Teka, que com um longo sorriso convidou-me a ir pra casa dela em Joinville, deu seu cartão da chocolateria e por fim agradeci pelo tempo concedido pra entrevista-la.
Em poucos minutos, os balões coloridos começaram a ser cheios pelos funcionários. Um barulho infernal começava na cozinha, e a Teka continuava a mexer a sua colher delicadamente para seu bem casado sair perfeito.