Sobre os que já se foram, diria que não podemos dizer que nossa cultura regada por elucubrações científicas, hipóteses materialistas de um mundo que só sabe olhar para o próprio umbigo (o mundo ocidental), possa se vangloriar de prestar alguma homenagem a eles – os que vieram antes de nós; nossos antepassados, incontáveis almas (palavra essa que pode acarretar demissão, se publicada por um jornalista desprestigiado) responsáveis pela nossa estadia mundana. Talvez, o que melhor resuma nossa atitude pretensiosa e provinciana – já que um não caminha sem o outro – seja a frase que ouvi de um amigo meu alguns dias antes do último dia 2/11: “Não entendo a necessidade desse dia, deste feriado. Afinal de contas, já estão todos mortos, mesmo!”. E por aí vai.
Para a Igreja Messiânica Mundial, crença fundada por Mokiti Okada, ou “Meishu Sama (senhor da luz)”, no Japão da primeira metade do século XX, Finados constitui a data mais importante a ser celebrada anualmente. No último dia 2/11, para se ter uma ideia, estiveram reunidas no Solo Sagrado de Guarapiranga – um dos maiores templos messiânicos no mundo – em torno de 40 ou 50 mil pessoas (estimativa minha, baseada na lotação do Morumbi e do Pacaembu) entre membros e visitantes.
A Messiânica, e outras religiões orientais como o Budismo, acreditam no que constitui o princípio da metafísica: o que nós fazemos no mundo material reflete no mundo espiritual, e o que acontece no mundo espiritual reflete no mundo material. Se fôssemos hierarquizar os três mundos, os três planos existentes, em primeiro lugar viria o Plano Divino – habitado por Deus e alguns espíritos superiores – ,o Plano Espiritual – habitado pelos outros espíritos desencarnados, e dividido em camadas em ordem de importância (como em “A divina comédia”) – e o Plano Material – habitado por nós, espíritos encarnados ou reencarnados.
Finados é, aos messiânicos, o único dia do ano em que todas as camadas do Plano Espiritual são abertas por Deus, possibilitando o encontro e a comunhão de todos os espíritos entre si e com o Plano Material, se lembrados e ritualizados por nós. Esta é a importância da data, assim como dos ritos messiânicos diários e preparativos especiais para esse culto.